A História de Amor de Carlo Luigi Zanella e Clementina Perdona: o primeiro casamento da Colônia Azambuja
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- 15 de out. de 2025
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Entre as muitas histórias que marcaram a chegada dos imigrantes italianos ao sul de Santa Catarina, uma delas se destaca por seu toque profundamente humano e romântico — a história de Carlo Luigi Zanella e Clementina Perdona, protagonistas do primeiro casamento realizado na Colônia de Azambuja, em 1877.
Segundo o relato oral preservado por Marcílio Zanella, descendente e guardião dessa memória, o destino dos dois começou a se entrelaçar ainda na Itália, na região do Vêneto. Carlo Luigi morava em Arcole, mas trabalhava em Verona, enquanto Clementina vivia em Belfiore, uma pequena localidade vizinha. Foi ali, entre as vilas e campos italianos, que nasceu o amor entre o jovem trabalhador e a moça de espírito decidido.

Porém, o amor logo enfrentaria uma dura prova. A família Perdona havia decidido emigrar para o Brasil, partindo com o grupo de imigrantes que daria origem à primeira colônia italiana do sul de Santa Catarina, a Colônia de Azambuja, em Pedras Grandes. O pai de Clementina foi categórico: ninguém ficaria para trás. Todos deveriam cruzar o oceano em busca de uma nova vida.
Ao saber disso, Carlo Luigi entrou em desespero. Não suportava a ideia de ver sua amada partir para tão longe, sem esperança de reencontro. Movido por esse amor, tomou uma decisão corajosa — convencer sua mãe, Lúcia Zanella, viúva de Antônio Zanella, a deixar também a Itália e embarcar para o Brasil, junto com os três irmãos.
Foi assim, por amor, que Carlo Luigi atravessou o Atlântico. E, ao chegar à nova terra, o destino recompensou sua coragem: logo após a instalação dos imigrantes na Colônia de Azambuja, em 1877, ele e Clementina uniram-se em matrimônio. O casamento foi celebrado com a presença de Joaquim Vieira Ferreira, então diretor da colônia, que atuou como testemunha do enlace — um marco simbólico e afetivo da fundação da nova comunidade.

A união de Carlo e Clementina representou mais do que o encontro de duas almas apaixonadas: foi também um símbolo de esperança, de recomeço e de fé no futuro. Daquela história de amor nasceram gerações que ajudaram a construir Pedras Grandes e toda a região.
Posteriormente, a família Zanella se estabeleceu na comunidade de São João, onde Antônio Zanella, filho de Carlo e Clementina, foi professor. Mais tarde, adquiriram uma área de terra na localidade de Ilhota, comprada de Pedro Zapellini, consolidando ali suas raízes e contribuindo para o desenvolvimento local.
Hoje, mais de um século depois, a história de Carlo Luigi Zanella e Clementina Perdona ainda ecoa com ternura entre os descendentes e moradores de Pedras Grandes — como um lembrete de que alguns amores são fortes o bastante para atravessar o oceano e se transformar em história.
(por Júlio Cancellier, com informações de Marcílio e Rodrigo Zanella)
